Depois disto, surgiu um novo projeto: um festival de bandas em Zabok, localidade perto da fronteira da Eslovénia. Supostamente deveria ter ficado 3 semanas, mas, nos primeiros dias tive que voltar.
Não me estava a sentir bem, não me adaptei ao trabalho exigido, que consistia na maior parte dos casos em carregar altifalantes pesados, mesas, e palco (ajuda na montagem, também) e limpeza do complexo onde recorria a maior parte dos concertos.
Esta pequena cidade localizava-se no meio do nada, no entanto tinha um ou dois centros comerciais, com 2 ou três supermercados, cinema, grandes bancos, etc… No 3º dia decidi finalmente me ir embora, onde não me sentia confortável. Por exemplo, a sala onde dormíamos não era a mais adequada…. Pó por todo o lado, sem pavimento adequado mas, o que mais me incomodou foi mesmo o facto de se localizar bem por cima do palco. É certo que não esperava umas instalações com luxo mas, o único dia que consegui dormir foi o primeiro dia, o único que não houve concerto pela noite dentro os outros… nem por isso. Os concertos começaram às 5 da tarde e acabavam às 3, 4, 5 da manhã.

No dia seguinte teríamos que estar prontos às 9, impossível para mim. Não que fosse demasiado cedo mas, se não conseguia descansar…. Nada podia ser feito com a mínima disposição. No meu último dia, já não muito feliz, decidi, pela manhã explorar a localidade… após umas longas horas, na volta, avistei a biblioteca municipal, um lugar, que por sinal me transmitiu alguma tranquilidade após a montanha russa de emoções que eu enfrentava, consegui encontrar uma pequena secção de livros em inglês. Um captou-me a atenção mais que outros, devido ao seu titulo ‘The woman who went to bed for a year’… li a contracapa e decidi começar a lê-lo e o que era exatamente o que eu precisava naquele momento, algo descontraído e engraçado para tirar a minha mente os problemas. Não pude levá-lo comigo por muito tempo … no final da tarde era a hora de abandonar. Custou-me um pouco desistir, uma vez que, não sou de deixar as coisas a meio sem acabar…. Mas era demais para mim. Tinha que parar ou a situação ia acabar comigo, tanto física como psicologicamente.
Nesse fim-de-semana era o meu 22º aniversário e, com toda a certeza, não era assim que eu queria passar este dia. Assim que tive oportunidade de descanso… sentia-me renovada e, sem dúvida, pronta para novos desafios.
