Na quinta tinha voltado com os rapazes que partilho apartamento e o projeto e no sábado, juntamente com a Léa, Ane e Jana preparam-me uma pequena surpresa para o meu aniversário,
com bolo feito por eles e dois pequenos presentes: uma caixinha de chocolates e um pequeno boneco feito por elas, com o
número 22 costurado nas costas. Sem dúvida, fizeram o meu dia especial e agradeço-os por isso.

Na semana seguinte, novas atividades começaram… tanto no nosso projeto como exteriores ao mesmo. Fomos a uma instituição para pessoas com desabilidades mentais, onde interagimos com eles através de origami ou jogos, como o bowling, frisbee ou futebol. Foi bastante interessante e enriquecedor, pois pude ver e experienciar um ambiente diferente do que eu estava habituada. Na terça-feira dessa mesma semana, pela primeira vez, tivemos uma caminhada com os idosos que têm dificuldades motoras. Difícil, com toda a certeza… as ruas e passeios não estão preparadas para pessoas com cadeiras de rodas. Sempre que o tempo permitir… todas as terças teremos esta atividade. Mas, até agora, não houve muitas… ou chovia ou estava demasiado calor. A partir do dia vinte e dois de maio começamos a jogar bowling no lar. Mas este é diferente do bowling convencional: consiste numa bola no final de uma corda, que está pendurada no topo, sendo que não podemos balançar a bola diretamente contra os pinos, é necessária alguma técnica e calcular o melhor ângulo para poder derrubar o número máximo de pinos. Após algumas vezes, posso dizer que já consigo dominar o jogo e numa vez consegui derrubar os pinos todos de uma só vez. Depois ou durante o jogo, temos sempre uma pequena pausa para café ou refrescos, sabe bem em dias quentes e também podemos passar um bom tempo com os residentes, apesar de não entendermos perfeitamente o que eles nos dizem.

No final do mês de maio houve um grande evento no lar, chamado ‘Dia da família’, onde os seus familiares podiam passar algum tempo com os seus avós, netos ou pais e disfrutar de boa comida (principalmente bolos tradicionais) e de ouvir música tradicional. Alguns membros do grupo de ginástica, que já nos conhecem bem, insistiram para que nós ficássemos com eles, tirando fotos. Com eles sinto-me bem e eles sentem-se bem com a nossa presença e tratam-nos como os seus netos, na maior parte das vezes. No final desta semana, Mika acaba o seu projeto e volta a França mas, não de vez, ficamos a saber que ele é o nosso 4º e último membro do nosso projeto. Já era sem tempo, após inúmeras tentativas de achar o candidato ideal, de promessas não cumpridas, de desistências… no final de junho o voluntário francês voltaria a Petrinja, para felicidade de todos.

O início de junho começa com uma espécie de ‘excursão’ com um grupo de crianças da escola de Sisak a uma aldeia perto de Petrinja. Lá, pudemos disfrutar da natureza, enquanto se faziam diversos jogos e atividades com as crianças, todas, envolvendo trabalho de equipa, como a montagem de tendas, futebol, jogo com cordas e, como último jogo uma caça ao tesouro por volta da aldeia até ao cume, numa torre/castelo. O tempo estava fantástico e era possível falar com as crianças em inglês. Fiquei surpreendida por crianças de 6-8 anos saberem se comunicar nesta língua com alguma fluência, coisa impossível de ver de onde eu venho, em que normalmente as crianças e a juventude não tem qualquer interesse em falar minimamente o inglês (às vezes têm algum desprezo), uma língua fundamental em qualquer situação, como lazer e/ou trabalho.
Entretanto, Patricia, a ‘sobrevivente’ do festival de Zabok chegou e, com ela, comecei a preparar workshops para as crianças que normalmente vêm ao ‘Community Centre’ nos seus tempos livres. Com o final do ano letivo, as crianças deixaram de aparecer no centro, por isso, só pudemos realizar num dia… apesar de termos preparado outros. Nesse mesmo fim-de-semana houve portas abertas da organização IKS e organizações locais puderam promover os seus produtos, bem como as suas ações, como o grupo de escuteiros, e, a organização IKS, também pode promover o SVE à comunidade. Também houve workshop com marionetas feitas com meias, para as crianças, liderado pelas raparigas do projeto de marionetas, bem como um espetáculo com marionetas feitas pelos membros da IKS e voluntários locais e de SVE. Apesar dos 37-38oC havia pessoas na praça a ver a ‘exposição’ e muitas crianças a assistir o espetáculo e a participar no workshop.
Na semana seguinte, à semelhança de Portugal, começou-se a ‘era’ dos santos populares que, neste caso, foi o dia de Santo António. Nesse dia, acompanhamos o grupo de ginástica do lar a uma pequena aldeia chamada Čurtić onde eles foram assistir à missa deste dia. Anexa à pequena capela estavam alguns azulejos nas paredes exteriores com motivos religiosos, normal, suponho eu, num sítio religioso…. Mas, não normal de todo, quando as imagens e legendas dos mesmas estavam escritas em português, como por exemplo, Santo António, N. Senhora de Fátima e o anjo da guarda. No domingo da mesma semana, desta vez só eu e a Patricia, os acompanhamos a uma pequena aldeia chamada Gora, onde eles assistiram a uma missa e, mais tarde, tivemos um churrasco com eles. Foi um tempo bem passado e o dia estava perfeito, não muito quente.
