O tempo passa e os voluntários SVE, com a liderança de Anna, uma rapariga francesa que veio estagiar nesta organização e que também foi responsável pela organização da semana intercultural, começaram a preparar-se para um novo projeto: campo de verão.
Estas semanas de preparação (perto de um mês) foram exaustivas, uma vez que tínhamos que preparar o calendário destas 2 semanas, todas as suas atividades, horário, bem como preparar todos os workshops para os voluntários que viriam a chegar. Na minha opinião foi um erro a organização deixar tudo preparado para os voluntários internacionais…. Que se refletiu mais tarde num comportamento passivo por parte dos mesmos. Foram semanas longas para os voluntários de SVE, principalmente porque tínhamos que nos dedicar 100% ao campo de verão e deixar quase de lado as atividades do nosso projeto…. O tempo passou e finalmente chegou o primeiro dia do campo de verão que se prolongou até ao dia 13 de julho.

Duros dias se avistaram e, contrariamente ao que se esperava, os voluntários SVE lideraram os workshops e a maior parte das atividades deste campo…. Os voluntários internacionais apenas se limitaram a assistir e, por vezes, participavam. Apesar de todas as circunstâncias, a primeira semana correu bem: tempo estava bom e algumas crianças e jovens apareceram para participar nas atividades planeadas. Neste fim-de-semana, no sábado, ocorreu, na praça principal de Petrinja, a noite intercultural, onde todos os voluntários internacionais tiveram a oportunidade de apresentar o seu país, bem como dar a experimentar as iguarias tradicionais: Croácia, Bósnia, Republica Checa, Eslováquia, França, Espanha e Portugal. Para representar Portugal, desta vez, tive a ajuda de um português de Coimbra que me ajudou a preparar a apresentação e um jogo entre palavras portuguesas e espanholas para ver se as pessoas conseguiam ver as semelhanças e diferenças entre as duas línguas. Formalidades à parte, preparei uma sobremesa tipicamente portuguesa (natas do céu). Um autêntico sucesso como veio a ser comprovado. Num espaço de meia hora tudo tinha desaparecido e os elogios em relação à sua confeção não paravam de aumentar. Após o fim deste evento, e de termos posto tudo no seu lugar (mesas, cadeiras, bancos, etc.) fomos a um bar perto do nosso apartamento, chamado Lobby. Passamos um bom tempo, apesar de estar exausta por ter sido um dia longo, uma semana longa, também….

Segunda semana: o caos começa uma vez que, sem ter um plano B bem consistente e, de as atividades na sua maioria se realizarem no exterior, na margem do rio Kupa, com chuva forte torna-se impossível de realizar qualquer atividade no exterior. Por este motivo, nenhuma atividade foi feita em benefício da juventude ou crianças de Petrinja, embora houvesse grandes planos: um dos dias se realizaria uma grande gincana, onde se realizariam vários jogos relacionados com os 4 elementos: ar, terra, fogo e água, incidindo-se mais nos últimos dois. Focou-se então nos nossos ‘convidados’… mas não foi a melhor semana, com toda a certeza. Neste campo de verão estavam programadas ‘Work actions’ no qual os voluntários teriam que fazer algo pela comunidade. Nada posso dizer sobre as mesmas, uma vez que não estive presente em todas e, também, não estava direcionada a qualquer um dos voluntários de SVE.

A ação que valeu a pena estar teve lugar em Petrinja, na instituição para crianças que referia anteriormente, a Mala Kuća onde os voluntários puderam desenhar e decorar os muros da casa. Com isto, eles podiam ser mais facilmente identificados com o logótipo na entrada e com vários desenhos infantis, animais, e motivos da natureza. No dia de uma das outras ações, uma vez que a chuva não o permitiu, foi feita uma ação ‘extra’ no lar onde decorrem a maior parte das atividades do nosso projeto. Esta ação consistiu na limpeza de todo e qualquer canto do interior. Trabalho árduo, sem dúvida que envolveu a equipa ‘convidada’, alguns voluntários locais e, os membros do nosso projeto (eu, Jaime, Mickäel e Patricia). Quando chegamos lá, as funcionárias, com alguma maldade, penso eu, nos distribuíram uma espécie de uniforme. Cor: lilás, calças e casaco… os rapazes ficaram fantásticos. Todas as vezes que nós fazíamos algo elas vinham inspecionar e, conforme a sua opinião mandavam-nos fazer mais uma vez ou não. Às 5, finalmente tivemos uma pausa para café e refrescos e, para mim, hora de tirar aquele uniforme e de descansar em casa.
